Era final de dia de semana de moda, quem estava de salto, tirou, carregou na mão, e tirou o par de sandalinhas rasteiras da bolsa grande, porque em semana de fashion week, não dá para ficar fingindo glamour o tempo todo e correndo de lá para cá com os pés doendo. Na saída, para esperar o carro para o hotel, as várias vans de multitudes de fashionistas, funcionários, gente carregando araras com dezenas de vestidos, roupas, acessórios, de lá para cá, a câmera menor ainda estava na mão. E as duas modelos ignoravam o stress do dia, conferiam foto no celular, e entraram na sessão bom humor. Sim, era domingo, estava frio demais, e depois de um dia cansativo, testes de luzes de entra e sai de bastidores, de make ups, de serve-isso-aquilo, sapato sumiu, não entra, designer estressado, muvuca de bastidores, elas pararam e sorriram para a foto. Parecia que era inicio de dia. Mas o café foi reforçado, tinha frutas, e não era igual ao seu de domingão, porque, ali, tinha muita dieta envolvida. Aí, todo mundo sorriu. Deu tempo para inclinar a cabeça, e mostrar que tem amiga ali que não estava tão preocupada com guerras e competindo. Era um domingo leve. Porque se queria que se fosse um domingo bom. Cada cabeça uma sentença, cada olhar, uma proposta. Mexe que mexe, dá tempo de sorrir. Na tabela da correria. Depende do que vem dentro de cada um, do que se absorve, do que se tira, e do que se apreende e dispensa de conselho errado para se ser feliz. Não a felicidade da facilidade do erro e do comodismo. De se alcançar o que se quer, se almeja, dos sonhos completados e não adiados, sem mesmismos, sem conformismos, mas de saber ser feliz com o que se escolheu fazer, e tendo a visão certa das coisas. Não com lentes alheias, e nem intencionando rebates desnecessários. Tempos de redes sociais e muitas imagens e ações de engano, retrocessos no social, anti-humor. Ali se esperou o dia inteiro, e, apesar do cansaço, se saiu sorrindo. É isso aí. (Rosaly Queen) (Foto: Rosaly Queen)
